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Cash management: gerir os fluxos e proteger a liquidez da empresa

O cash management, ou gestão de tesouraria, organiza os recebimentos, os pagamentos e a liquidez necessários ao funcionamento da empresa. O objetivo é disponibilizar os fundos necessários no local e no momento certos, controlando os riscos e os custos. Assenta no conhecimento dos saldos, em previsões regulares e em responsabilidades claramente estabelecidas.

1. Construir uma posição de tesouraria utilizável

Cada dia começa com informação fiável: quais são os saldos por conta, banco, entidade e moeda? Distinga os saldos contabilísticos dos montantes disponíveis. Identifique os fundos sujeitos a restrições, os movimentos pendentes e as instruções ainda não contabilizadas.

Fixe uma hora de referência para a consolidação e assinale as contas cuja informação está em falta. Uma posição parcial pode ser utilizada quando o seu âmbito e as limitações estão visíveis. A reconciliação bancária permite depois explicar os desvios entre as operações esperadas e os movimentos registados.

2. Transformar as previsões em decisões

Uma previsão de tesouraria reúne os recebimentos e pagamentos esperados. Para cada período: saldo final = saldo inicial + recebimentos − pagamentos. Separe os fluxos operacionais, os investimentos, os vencimentos de financiamento e as operações excecionais para compreender as necessidades.

Pode, por exemplo, preparar uma previsão deslizante de treze semanas, atualizada semanalmente, com maior detalhe para os próximos dias. Este horizonte é uma opção metodológica a adaptar à atividade. Documente os pressupostos, prepare um cenário de tensão e compare os fluxos realizados com as previsões para melhorar os contributos.

3. Atuar sobre o ciclo de exploração

A tesouraria também depende dos processos comerciais e operacionais. A faturação correta e atempada, a resolução de divergências e o acompanhamento das contas a receber ajudam a tornar os recebimentos mais previsíveis. As equipas comerciais, de contabilidade e de cobranças devem partilhar as mesmas informações sobre os vencimentos e os desacordos.

Quanto aos fornecedores, planeie os pagamentos de acordo com as condições acordadas e as necessidades de continuidade da atividade. Analise também as existências e as compras com os responsáveis operacionais. O objetivo é compreender a liquidez mobilizada no ciclo de exploração e identificar ações compatíveis com as relações com clientes e fornecedores.

4. Estruturar as relações bancárias e a liquidez

Mantenha atualizado o inventário de contas, serviços, signatários e financiamentos disponíveis. Compare os encargos faturados com as condições negociadas e o serviço efetivamente utilizado: manutenção de conta, transações, ligações e financiamento. Um diálogo documentado com os bancos permite apresentar as necessidades de tesouraria e as previsões que as justificam.

Num grupo, avalie a centralização de tesouraria, ou cash pooling, quando adequada à organização. O âmbito depende dos contratos, das entidades e do enquadramento local aplicável. Para os excedentes, defina uma política que articule disponibilidade, segurança, limites por contraparte e objetivos de rendibilidade segundo as necessidades previstas.

5. Proteger as operações quotidianas

Formalize as funções de preparação, aprovação e controlo dos pagamentos. Defina as permissões, os limites, as delegações e o procedimento de alteração de dados bancários. Conserve as provas de aprovação e um rasto de auditoria das ações importantes.

Preveja também as ausências, as falhas de ligação e os pagamentos rejeitados. Um procedimento de continuidade deve especificar quem decide, como verificar o estado das instruções e como evitar envios em duplicado. As ferramentas bancárias, o ERP e um eventual TMS devem apoiar estas regras de negócio.

6. Implementar uma abordagem em seis etapas

  1. Mapear: identificar contas, bancos, moedas, entidades e circuitos de pagamento.
  2. Melhorar a fiabilidade: reconciliar os dados e designar os seus responsáveis.
  3. Prever: escolher os horizontes, os participantes e o calendário de atualização.
  4. Controlar: formalizar os poderes, as aprovações e os procedimentos de continuidade.
  5. Otimizar: analisar os encargos, os saldos e as necessidades de financiamento com base nos dados disponíveis.
  6. Acompanhar: medir os desvios, tratar as anomalias e ajustar as práticas.

7. Medir os progressos com indicadores úteis

Acompanhe a cobertura das contas, a atualidade dos dados, os desvios de previsão por categoria de fluxo, as contas a receber vencidas e os encargos bancários. Cada indicador deve ter uma definição, um âmbito, um período e um responsável. Os objetivos são estabelecidos de acordo com a situação da empresa.

Exemplo fictício: uma empresa sazonal identifica um desfasamento entre as compras e os recebimentos de clientes. Reforça o acompanhamento das contas a receber, atualiza o calendário de pagamentos e apresenta ao banco uma previsão documentada da necessidade de financiamento.

A Précis Consulting apoia o diagnóstico dos seus fluxos e a estruturação do seu cash management.

Fontes e leituras complementares

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